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terça-feira, 13 de setembro de 2011

UMA EDUCADORA QUE SE TRANSFORMOU


Uma educadora tradicional? Nem tanto! Escolanovista? Será? Moderna? Não sei. Defensora de uma escola popular?

Sim, sim, mas afinal, como ser isso ou aquilo?

Fácil. Um cutucão muitas vezes é o suficiente para que você se mova: para frente ou para tras.

No meu caso, ao me ver deparada com uma sala multietária em 2003, precisei me reestruturar, para não dizer outra coisa.

Foi um grande susto. De repente crianças de 03 a 06 anos em uma mesma sala? em 2003 não havia a inserção das


crianças de 06 anos no ensino fundamental – o que eu acho hoje em dia uma calamidade, mas isso fica para outro artigo.

Quem poderia me salvar?

Os pais me cobrando, a direção cumprindo uma resolução. E agora?

Para um bom entendedor: um risco é Francisco, como diz a minha mãe, logo, “te vira educadora”.

Pois me virei e diga-se de passagem, muitíssimo bem. Fui pesquisar, estudar e encontrei ninguém mais que Cèlestin

Freinet.

Hoje já se passaram 08 anos, desde que me debrucei nesta perspectiva educativa. Sou apaixonada pelo modo como

Freinet via a vida entrando na sala de aula e o modo como ele se relacionava com os seus pares e seus alunos.

Discordem se eu estiver errada após lerem este pequeno texto. É muita amorosidade por parte deste educador e é isto que

quero transmitir:

Texto de Celéstin Freinet (2004, p.81)
Livro:Pedagogia do Bom Senso

“Pão e rosas

As crianças precisam de pão e de rosas. O pão do corpo, que mantém o indivíduo em boa saúde fisiológica. O pão do espírito, que você chama de instrução, conhecimentos, conquistas técnicas, esse mínimo sem o qual corremos o risco de não conseguir a desejável saúde intelectual. E das rosas também — não por luxo, mas por necessidade vital. Observo o meu cão. Claro, precisa comer e beber para não ter fome e não ficar desesperado, com a língua de fora. Mas tem mais necessidade ainda de uma carícia do dono, de uma palavra de simpatia ou, às vezes, só de uma palavra; do afeto que lhe dá o sentimento do lugar — o qual desejaria muito grande — que ocupa no mundo em que vive; de correr por entre as moitas ou só uivar demoradamente nas noites de luar, talvez para ouvir ressoar a própria voz, como se ela abalasse magnificamente o universo. As crianças têm necessidade de pão, do pão do corpo e do pão do espírito, mas necessitam ainda mais do seu olhar, da sua voz, do seu pensamento e da sua promessa. Precisam sentir que encontraram, em você e na sua escola, a ressonância de falar com alguém que as escute, de escrever a alguém que as leia ou as compreenda, de produzir alguma coisa de útil e de belo que é a expressão de tudo o que trazem nelas de generoso e de superior. Essa nova intimidade estabelecida pelo trabalho entre o adulto e a criança, esse novo grafismo aparentemente sem objeto, valorizado pela matéria ou pela cor, esse texto eternizado pela imprensa, esse poema que é o cântico da alma, esse cântico que é como um apelo do ser para o afeto que nos ultrapassa — é de tudo isso que vive a criança, normalmente alimentada de pão e conhecimentos, é tudo isso que a engrandece e a idealiza, que lhe abre o coração e o espírito. A planta tem necessidade de sol e de céu azul, o animal não degenerado pela domesticação não sabe viver sem o ar puro da liberdade. A criança precisa de pão e de rosas” (Freinet (2004, p.81 – LIVRO PEDAGOGIA DO BOM SENSO).

http://aprendendoebrincando.wordpress.com/2011/08/08/hello-world/


sexta-feira, 29 de julho de 2011

Para a Alice, com amor

Algures, em 30 de Agosto de 2007

Querida Alice, Chegou, finalmente, o dia do teu sexto aniversário. Finalmente, porque a pressa de ser grande se transforma em impaciência quando os aninhos ainda podem ser contados pelos dedos.
Entre Agosto e Setembro, entre o brincar sem cuidados e o ir à escola é só um saltinho de pardal. Dentro de poucos dias, a criança que és há-de ser “aluno”. Presumo que não vás perceber a diferença, mas não ouso afirmar. Quero apenas acreditar que, em 2007, já não sofras os dramas que crianças de outras gerações suportaram. Nasceste no primeiro ano deste século, mas houve alguém que, já no início do século XX, escrevia que aquele seria “o século da criança”. Enganou-se.
Como todas as crianças, sentirás apreensão e curiosidade. Irás fazer novos amigos e conhecer adultos que, supostamente, te ajudarão a crescer e a compreender o mundo. É sobre esse mundo novo e misterioso, que se abre para os teus olhos de menina curiosa, que eu te venho falar. Venho contar-te as histórias que não te pude contar quando eras mais pequenina. Eu explico...
Nos anos que se seguiram ao teu nascimento, à semelhança de outros professores em início de carreira, os teus pais não tinham poiso certo. Ano após ano, viviam a incerteza da “colocação”. Eu explico...
“Colocação” era o final feliz de uma angustiada espera. A “colocação” dava aos teus pais a certeza de que, pelo menos durante um ano, poderiam fazer o que gostavam de fazer: ensinar e aprender numa escola como aquela onde vais viver alguns anos da tua vida. E era também nessa diária aventura de ensinar e aprender que os teus pais amealhavam o seu sustento e asseguravam o teu futuro.
Os teus pais conheceram-se, amaram-se e quiseram que viesses ao mundo num tempo incerto. Não esperaram por tempos seguros, que, nestas coisas do amor como nas de aprender e ensinar, o que é urgente não deve esperar. E aceitaram a sina de, ano após ano, levarem a casa às costas para onde o acaso do “concurso” os atirava. Eu explico...
“Concurso” era um estranho jogo, um jogo de acasos, que os professores eram obrigados a jogar naquele tempo. O “concurso” era impiedoso e, no final de cada anolectivo, impunha a violência da separação àqueles que se começavam a conhecer e a compreender. O “concurso” era cego, pouco se importava com os afectos e nada entendia de criar laços.
Impedidos de concretizar o sonho de fazerem as crianças mais felizes, afastados daqueles que aprenderam a amar, os teus pais mudavam de casa, ano após ano. Dentro da casa, levavam o teu berço para longe das paragens habitadas pelos teus avós. Era assim naquele tempo e, só por isso, não pude estar junto de ti para te contar o mundo pelo caminho dos bosques e palácios de sonho habitados por duendes e príncipes encantados. E tu não pudeste ensinar-me a gramática de tempos que serão teus e que, certamente, já não poderei ver.
Mas sei que os teus pais te afagaram com a meiguice das palavras que crescem no coração dos pais. Tenho a certeza de que se debruçavam sobre o teu rosto quando ainda só falavas com o olhar, para te dizer do imenso afecto que os unia e de que eras o fruto maravilhoso. Estou certo de que embalaram o teu sono com histórias que te ajudaram a afugentar as sombras e os medos da infância.
Se não te disse as palavras doces no tempo certo, agora me redimo. Falar-te-ei em nome de todos aqueles que, em perturbados tempos, se deram a utópicas tentativas de dar sentido a experiências que a maioria das crianças que foram as da geração dos teus pais e avós não puderam conhecer. Falar-te-ei de professores que acreditavam ser possível pôr humanidade no acto de aprender e ensinar. Quero que saibas que havia pessoas assim.
Aqui chegado, pressinto que te interrogues: afinal de que estás a falar, avô Zé? Estou a falar de histórias que ficaram por contar. Através das imperfeitas palavras, farás a viagem ao tempo em que em que se desenhavam os destinos das crianças futuras, projectos (como então se dizia) de escolas de um devir luminoso. Disso te falarei amanhã.
Com amor,
O teu avô José.

Prof José Pacheco
recebi por e-mail não posso guardar só pra mim
Ivone

sexta-feira, 15 de julho de 2011

A pergunta é para onde vamos?


Quando questionamos tudo a nossa volta automaticamente provocamos reflexões e a partir daí novas mudanças.

Somente na reflexão há mudanças e assim transformamos a escola e o mundo.

Enquanto a escola estiver formando pessoas para servir há um conjunto de regras pré - estipulados. Estaremos rodando em círculos.

A escola deve transmutar a si mesma.

Morrer para renascer.

Mas, temos medo.

Por que estamos apegados aos livros, a como as coisas devem ser, a uma formatação escolar de mais de um século, a títulos escolares e até mesmo a representação e um avental de “Mestre”.

Os grandes portões existem primeiramente dentro de nós.

Rompe-los é transmutar, vencer o medo.

É responder para onde vamos. É renascer escola.

Que possamos ter coragem de questionar, de olhar o passado e deixa-lo ir, morrer.

Sem alunos ou professores, sem regras ou fórmulas, apenas pessoas que se encontram com outras pessoas.

E no encontro uma troca.

Na troca o aprendizado, o maior presente da Terra, ensinar e aprender com alguém.

Ajudar a descobrirem a si mesmos, seus talentos e sua maestria.

Em um espaço aberto e acolhedor.

Que chamaremos de outra coisa ou mesmo de escola.

Ivone

sábado, 25 de junho de 2011

Como Estrelas Na Terra - Toda Criança É Especial

Parte 1 de 16, IMPERDÍVEL


Taare Zameen Par – filme da produção de Bollywood – conta a história de uma criança que sofre com dislexia e custa a ser compreendida. Ishaan Awasthi, de 9 anos, já repetiu uma vez o terceiro período (no sistema educacional indiano) e corre o risco de repetir de novo. As letras dançam em sua frente, como diz, e não consegue acompanhar as aulas nem focar sua atenção. Seu pai acredita apenas na hipótese de falta de disciplina e trata Ishaan com muita rudez e falta de sensibilidade. Após serem chamados na escola para falar com a diretora, o pai do garoto decide levá-lo a um internato, sem que a mãe possa dar opinião alguma. Tal atitude só faz regredir em Ishaan a vontade de aprender e de ser uma criança. Ele visivelmente entra em depressão, sentindo falta da mãe, do irmão mais velho, da vida… e a filosofia do internato é a de disciplinar cavalos selvagens. Inesperadamente, um professor substituto de artes entra em cena e logo percebe que algo de errado estava pairando sobre Ishaan. Não demorou para que o diagnóstico de dislexia ficasse claro para ele, o que o leva a por em prática um ambicioso plano de resgatar aquele garoto que havia perdido sua réstia de luz e vontade de viver. O filme é uma obra prima do até então ator e produtor Aamir Khan


http://www.cinemaindiano.com/