sábado, 4 de junho de 2011

Pedagogia da presença






Construímos nossa sociedade a partir da exploração, física e/ou psicológica do outro. E alguns de nós assim agem com uma tranqüilidade (ou estupidez, ou uma ignorância) incompreensível. Há, inclusive, quem exerça tais violências em nome de Deus – como se Deus pudesse ser medido no sistema métrico humano. Mas, tenho certeza, isto todos/as os/as senhores/as já sabem.

Preciso acrescentar, entretanto, e ainda que rapidamente, outra dimensão – maior ainda – da violência que homens e mulheres cometem contra homens e mulheres. Bilhões de seres humanos, ainda no ventre materno, são condenados à morte. Geralmente são africanos, são asiáticos, são latino-americanos – são brasileiros. Há também norte-americanos e europeus, embora em menor proporção.

Estas crianças, que teimam em nascer, são filhos e filhas da classe trabalhadora – classe à qual nós pertecemos, não podemos esquecer disto –, estão em nossas escolas e dependem dela para driblar a pena de morte à qual estão, por nascimento, condenadas. São os ‘matáveis’ que sentam nas carteiras das escolas públicas (anti-anatômicas) e semeiam esperanças porque, desde cedo, aprendem que precisam arar a terra se quiserem colher o pão. São meninos e meninas de barriga vazia que se queimam em nossas salas de aula (sem ventilação) aguardando a “hora da merenda”: grande parte das vezes, a primeira ou única refeição do dia. E ainda há quem defenda a broa e a bolacha com suco (?). São moças e rapazes humilhados nas filas de ônibus, nos postos de saúde, na espera por um emprego, na condição de pedinte, na marginalização a que também são submetidos.

Milhares de crianças morrem de fome diariamente. Centenas de milhões dormem nas ruas. Outras tantas são prostituídas porque precisam ludibriar o estômago. E há um número astronômico de viciados: precisam esquecer a vida, precisam inventar uma fantasia, ainda que estúpida, ainda que suicida.

Todas estas crianças, todos estes jovens e estes adultos sentam-se nos bancos das escolas públicas. Penso que a história de vida deles e delas, o desrespeito e desumanização de que são vítimas representam conteúdos imprescindíveis para a formação da cidadania. NINGUÉM CONSEGUE TRANSFORMAR A PRÓPRIA HISTÓRIA SE NÃO A CONHECE. Este “conteúdo” parece ser um excelente ponto de partida (e de chegada) para as propostas pedagógicas das nossas escolas, para a elaboração de uma escola pública de qualidade social.

Evanilson Tavares de França

Aracaju-SE

etfrancapoti@yahoo.com.br

http://www.cincominutos.org/diversos.htm#Pedagogia_da_presença_

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